A experiência cerebral do dia: Inland Empire

O ponto de partida foi sempre o mesmo, a relação extra conjugal, a traição, as consequências... em espaços temporais e de consciência que se misturavam... o passado, o presente, o sonho, a realidade, a consciência ou não consciência dessa realidade.
Não estava a olhar para o relógio, mas foi uma experiência que passei com prazer durante, cerca de 2/3 do filme... A partir daí, começou tudo a ficar demasiado baralhado. Não só no filme, como no corpo... foi o estômago que se começou a queixar que tinha fome... “cala-te” – disse-lhe o cérebro a tentar concentrar-se... a bexiga que já queria ir à casa de banho... “aguenta-te”... e com tanta baralhação... às tantas... foi mesmo o pobre do cérebro que começou a ficar cansado... Durante uma boa meia-hora fiquei a desejar que o filme acabasse e confesso, que até me irritou um bocado esse looonngo cerca de 1/6 de filme... Depois voltou a prender-me nos cerca de últimos 15 minutos e quase que já não me levantava para sair.
Daqui a uns anos, depois de ver o filme mais uma boa meia dúzia de vezes, talvez perceba o sentido de todas as cenas que fazem o filme... hoje tinha-lhe retirado umas tantas que só serviram para me baralhar e cansar... mas talvez seja esse o objectivo do David Linch... não o cansar... mas o baralhar... ou talvez não tenha objectivo nenhum... foram ideias que foram surgindo, como explica aqui, e nós e os nossos cérebros é que têm esta estúpida necessidade de interpretar o que vêem... Como sempre, e mesmo filmadas em vídeo, adorei as ambiências David Linch, como sempre, adorei o surrealismo David Linch!! E realmente consegue manter-nos intrigados do princípio ao fim!! E o fim... é assim... :)
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