passarola quer voar: Agosto 2009

sexta-feira, agosto 28

Se eu fosse uma música...

era definitivamente esta:



Chico Buarque_ João e Maria <3 <3 <3

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Quero ir ver! :))

sexta-feira, agosto 21

Terror no Lar de 3ª idade - o fim

Preso a uma cadeira numa sala de convívio de um lar de terceira idade de senhoras, ele olhava em redor, horrorizado. As lâmpadas vermelhas distribuídas pelo chão transformavam a sala de entretenimento diário de idosas num cenário infernal. E as criaturas que se aproximavam com ar maléfico e ameaçador, não eram as santas freiras e enfermeiras que tomavam conta da casa, eram as próprias velhas que durante o dia não faziam mais que levantar os olhos para o ecrã de televisão e inventar argumentos para se queixar da vida. Os olhos transformados por pinturas de guerra que via eram os da avó e de mais um bando de idosas com sorrisos maléficos. Aproximavam-se perigosamente pela frente, pelos lados e por trás. Sentiu os pêlos a arrepiarem-lhe o corpo preso a uma cadeira no centro da roda.

«Morri no roupeiro e vim parar ao inferno», pensou, enquanto tentava perceber o que iam fazer com ele, adivinhando pelos metais que lhe prendiam pés e mãos que não seria nada de bom. Procurou os olhos da avó para pedir ajuda mas não a reconheceu. De olhar alucinado, levantava a bengala no ar, lançando um grito de guerra que todas as outras velhas seguiram, começando a dançar e a cantar cânticos estranhos em volta dele. Um cerimonial bizarro que ele não queria imaginar como podia acabar.
«Arghhhhhh!» Em pânico tentou soltar-se da cadeira, agitou-se, contorceu-se com todas as suas forças sem conseguir libertar-se. As velhas pareciam loucas de bengalas e andarilhos no ar a saltar e a uivar em volta dele. «Vão-me comer, sugar a juventude», imaginou, vendo à frente dos olhos um filme sangrento onde era rasgado por dentaduras falsas que à medida que lhe retiravam o sangue iam rejuvenescendo as peles e corpos das velhas que as ostentavam.
«Socorro», tentou gritar, mas o adesivo na boca somente deixava passar uns sons de agonia a um volume demasiado baixo para que alguém não possuído pelo demónio o pudesse ouvir e resgatar. Dentro da cabeça já ouvia tambores de guerra a acompanhar as danças tribais do bando de velhas endemoninhadas que o cercavam. Sentiu o suor a cair-lhe da testa e as lágrimas a chegarem-lhe aos olhos.
«Não! Por favor, não!», pediu a alguma força superior que o tirasse dali, que o agitasse de dentro do roupeiro onde de certeza tinha adormecido. Aquilo não podia estar a acontecer. Aquilo não era real. Agitou a cabeça, exigiu a si próprio que acordasse daquele pesadelo infernal, mas continuava acordado, de suor na testa e lágrimas nos olhos, preso a uma cadeira e rodeado de velhas que sabe-se lá o que é que iam fazer com ele.
Para desespero dele a roda começou a fechar, a fechar e as lágrimas da angústia que estava a sentir já eram tantas que lhe embaciavam a visão.
«Não me façam mal, não me façam mal, não me façam mal», era a única coisa em que conseguia pensar. Fechou os olhos, não conseguia ver mais, não queria assistir à sua morte de olhos abertos. De olhos bem fechados começou a sentir o bafo das dentaduras das velhas a abrirem-se para lhe roubar a carne do corpo.
«É agora», pensou, sem esperanças de voltar a ver o sol.

Pensou que o melhor era desistir, deixar-se matar, mas de repente, um impulso de sobrevivência fê-lo abrir os olhos novamente e começar a lutar com o corpo contra a cadeira com uma força que não sabia que tinha. As velhas continuavam a sua dança, mesmo em cima dele, parecendo nem reparar que se tentava soltar. Sentiu uma dor aguda, um rasgão num pulso.
«Auuuuuuuu», uivou de dor sem que ninguém o ouvisse e pensou que tinha sido uma mordidela de uma delas. Continuou a lutar, mas mais uma vez, «auuuuuuuuuu», outro rasgo de dor, agora num tornozelo. Num instante de lucidez percebeu que não eram as velhas a mordê-lo era a pele a rasgar no metal que lhe prendia os membros.
«Nunca vou ser capaz de sair daqui», agonizou, voltando a desistir de lutar e nesse momento um grito estridente fez parar o ritual demoníaco das velhas do lar de terceira idade.

– Aiiiiiii!

Procurou com os olhos a criatura que tinha lançado o grito e que recolhia agora a atenção da tribo. «Estou salvo?», quis acreditar. Por trás dos cabelos despenteados das mulheres estava uma delas, talvez mais velha que todas as outras, ou talvez não. Acariciava o pé com uma expressão de sofrimento.
– Ela pisou-me com o andarilho… – acusou, apontando na direcção de outra. – Esta brincadeira já não tem piada.
– Podemos brincar a outra coisa, se já estás farta dos índios… – ouviu a avó dizer.
– Eu estava a gostar – ouviu outra das velhas reclamar, amuada.
– Mas eu é que trouxe o brinquedo, quem manda sou eu! – percebeu, estupefacto que não passava de um brinquedo na mão de velhas dementes e a culpa era da avó.
– Se brincássemos às cabeleireiras… podíamos fazer-lhe penteados – sugeriu uma das velhas mais pequeninas e magrinhas do bando.

«Isso! Brinquem com o meu cabelo», pensava ele, continuando a chorar, mas agora de alivio ao saber que aquilo não passava tudo de uma grande brincadeira.

– Olha lá, não tens ainda os brinquedos que tiraste ao teu neto? – ouviu a avó perguntar a uma das velhas mais corpulenta.
– Boa! Boa! Vou buscar…

A velha corpulenta saiu da sala e as outras aproximaram-se dele excitadas. Retiraram-lhe o adesivo da boca e ele, aliviado, ofereceu:
– Eu brinco. Eu brinco com vocês ao que quiserem, mas soltem-me desta cadeira. Por favor! – e procurou mais uma vez os olhos da avó.
– Não é lindo o meu neto? – perguntou a avó às outras e ele viu-as todas sorrir enternecidas, a olhar para ele. Sentiu vontade de lhes dar beijinhos a todas com a alegria de não ter morrido.
«Estou safo! Já as conquistei» pensou, ainda sem conhecer a brincadeira que se seguia.
– Já me podes soltar, avó? – perguntou, enquanto a velha corpulenta se aproximava com um saco na mão.
– Não querido, não te podes mexer que pode ser perigoso.
– E qual é a brincadeira? – perguntou outra velha.
– Aos dentistas – explicou a velha corpulenta.
– Pois… nós nunca brincámos a isto antes e se te mexes, ainda te brocamos um olho em vez do dente… – explicou a avó ao neto que voltava a sentir a angústia a subir-lhe pelo corpo.

– NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOO!

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terça-feira, agosto 18

Aventuras em stop-motion

Ontem foi o último dia de filmagens da curta “O caracol e a sardinha” que andámos a fazer no workshop de cinema de animação no ATLA. Não tenho aqui falado muito, mas podeis ir espreitar os relatos que a Laura foi fazendo do T1 debaixo da ponte :)

Posso dizer que foi uma experiência muuuuuuuuuuuuuuito lenta, mas muito gira.
Tivemos mais olhos que barriga na escolha do guião e à medida que o tempo foi passando e depois do curso acabar, acabámos por ter de cortar algumas cenas e não tivemos tempo de repetir muitas outras que podiam ter ficado melhor. :(

As cenas que o tempo não deu para repetir foram cenas que ficaram prejudicadas com a mudança de luz (estávamos a filmar ao ar livre, entre as 17h e as 22h) ou cenas que podiam ter levado mais frames para fazer o movimento mais lento (a noite a chegar, o cansaço a bater e a fome a apertar) e alguma deterioração da plasticina dos bonecos que foi o material que escolhemos para lhes vestir o esqueleto.

Mas isto também era um exercício de workshop e, apesar disso, tenho a certeza que vamos fazer uma coisa muito gira com a montagem das imagens que temos e alguns acrescentos de legendas para completar o que já não conseguimos filmar.

Tristezas de fins de serões a brincar aos bonecos à parte, aprendi muito e diverti-me muito. Posso dizer que, para além de uma grande contribuição para o guião, posso juntar ao meu currículo que sou especialista em fazer minis playboy’s com caracoletas sexy’s… olhem lá como ficou linda…

é favor clicar para aumentar que o pormenor merece!! :)


e em escavar buracos para plantar sardinhas...


Até tenho um certificado que o comprova!!! (com a Irina formadora)


Depois, durante o tempo exasperante a mexer caracóis a uma velocidade mais lenta que a velocidade de caracol também nos conseguimos divertir com belos piqueniques ao luar, no maravilhoso jardim do ATLA com vista para o rio, onde claro que não podiam faltar os caracóis comestíveis e as cervejolas… Poisconcerteza!!! ;)



Agora, mãos à obra para a montagem e pós produção que ainda queremos ficar com uma bela curta para mostrar. :)))

Ah… e eu e a Laura já temos argumento para a próxima, entre muitos outros projectos idiotas… eu acho que vai sair daqui dupla criativa de sucesso… ou não ;)

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sábado, agosto 15

Tem estado tanto calor, mas tanto calor...

... que até o candeeiro da minha cozinha derreteu...





:(

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segunda-feira, agosto 10

Terror no Lar de 3ª idade - parte do meio

Enfiado no roupeiro de um quarto de um lar de velhas, tentava adivinhar o que se passava do lado de fora. Os passos tinham parado e alguém começava a rodar lentamente a fechadura.
Sem saber o que o esperava do outro lado, entrou em pânico. Era inútil tentar controlar os nervos e, ao ver a maçaneta começar a rodar, teve de fazer um esforço para manter o coração no lugar e os olhos abertos. Conseguiu não os fechar com o medo quando a porta se abriu, mas por mais que tentasse não percebia nada do que estava a ver. Lá fora, o quarto estava tão escuro como o interior do roupeiro.
Sentiu uma mão fria a tocar-lhe no braço e estremeceu. Alguém falava com ele numa voz sussurrante. Aos bocados começou a reconhecer os contornos do rosto da avó e soltou um pequeno grito de alivio. Era só a avó a chamá-lo para que a seguisse.
Mas então, de quem eram os outros passos?
Saiu a medo do armário e olhou em volta. Estava tudo calmo, como ele tinha inicialmente imaginado. Tentou tranquilizar-se. Era imaginação dele, alucinação da avó, não havia ali nada de estranho.
Um bocado mais calmo, deixou a velha guiá-lo através do corredor que já tinha atravessado tantas vezes durante o horário das visitas. Mas agora parecia-lhe diferente. Seria da escuridão da noite? Apurou os sentidos para perceber. Não. O problema é que ele continuava a ouvir passos a aproximarem-se, vindos de todas as direcções. Não era alucinação.
Virou-se subitamente para trás. Não viu ninguém. Olhou em redor. Nada.
Continuou a andar e novamente os passos a persegui-lo. Voltou a virar-se, agora ainda mais bruscamente, mas o que quer que estivesse ali não se deixava ver.
Voltou a assustar-se com a possibilidade da história da avó ser verdadeira. Baixinho, tentou perguntar-lhe se também ouvia passos mas a velha continuava a andar, em silêncio, sem lhe dar resposta. Estava a encaminhá-lo para a sala de convívio, ao fundo do corredor.

Chegaram. A porta estava fechada e ele lembrou-se da imagem que tinha daquela sala durante o dia, com centenas de velhas viradas para um televisor gigante, de manhã à noite. A avó abriu a porta e puxou-o para o interior.
A sala estava às escuras e pareceu-lhe ver as mesmas velhas sentadas, imóveis e silenciosas na noite, nas mesmas cadeiras onde passavam os dias. Ficariam ali, como mortas, à espera que o início da emissão televisiva da manhã lhes devolvesse a vida?
Não podia ser. Se estivesse ali alguém, ele conseguiria ouvir as respirações, os movimentos, sentir o cheiro das lacas e dos perfumes baratos…
Devia estar a delirar, mas tudo aquilo lhe mexia demais com o sistema nervoso. Não aguentou.
Deu um puxão à avó e perguntou-lhe o que é que estavam ali a fazer, o que é que ia acontecer. Queria acabar com aquela palhaçada o mais depressa possível.
Ansioso, esperou a resposta da avó que sorriu para ele. Sem grandes explicações disse-lhe simplesmente que se sentasse para ver com os próprios olhos.
Mas ver o quê? Foi a última pergunta que lhe fez, antes de se sentar num cadeirão que estava no centro da sala e que nunca tinha visto antes.
Assim que se encostou, ouviu uns cliques metálicos e sentiu os braços e as pernas a ficarem presos ao assento. Desesperou.
Queria perguntar num berro o que é que se estava ali a passar, quando percebeu que um adesivo lhe colava os lábios um ao outro. Não se conseguia mexer, não conseguia gritar. Não conseguia fugir.

Agora estavam centenas de pequenos pares de olhos a olharem para ele no escuro e percebeu de que eram quando uma linha de pequenas luzes vermelhas se acendeu no chão em todo o redor da sala…

... a ser terminada...

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sexta-feira, agosto 7

Vou de fim de semana...

com o patrocínio Vai uma Gasosa? OBRIGADA, António e Fani!! :))
mas deixo-vos bem acompanhados com a voz bonita da Márcia...




Márcia _ ça me dit

e com uma fotografia do meu gato, que já devem estar com saudades :P


Bom fim de semana! :)

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