passarola quer voar

terça-feira, junho 17

“Algumas coisas acontecem…

… porque nós queremos que elas aconteçam, outras não. Por exemplo, cair não é uma coisa que se quer que aconteça, mas cair e conhecer alguém, pode ser. Cai-se porque se quer e porque não se quer, mas cair é igual, acontece sempre. E acontecer sempre é uma segurança, mesmo quando não fazemos qualquer ideia do que se passa, connosco ou à nossa volta, estamos sempre a acontecer, e isso parece-me bem, parece-me estável. E decidirmos deixar de acontecer não é nada fácil porque há imensa coisa que tem de se desfazer para se deixar de acontecer: deixar de respirar, deixar de comer, deixar de dormir, deixar de ouvir, deixar de ver, deixar de falar, deixar de conhecer, deixar de gostar, deixar de começar, deixar de pensar, deixar de convidar, deixar de acabar. Deixar não é nada fácil, é como acontecer, por vezes deixa-se porque se quer, por vezes é sem querer, mas deixa-se… Umas vezes faz pena, outras não, outras nem se dá por isso e só muito mais tarde é que percebemos que deixámos…” …

É assim que a Patrícia Portela começa a explicar-se ao leitor, num livro delicioso onde cada frase sabe a qualquer coisa tão boa como um petit gâteau de chocolate. E não é só a forma como está escrito ou o imaginário da Patrícia. É todo o objecto livro que é uma surpresa em cada página. A patrícia usa tudo para comunicar connosco de uma forma criativa e original (como também faz com as peças de teatro que cria). As palavras, a forma como estão colocadas na folha, as ilustrações, as notas, umas vezes da autora, outras da escritora, outras da tradutora (deve ser a tradutora da mente confusa da musa ;)) e é um objecto que se quer ter em casa, para abrir, aqui e ali, ler uma frase, ver um boneco e ficar com um sorriso. Lê-se num instantinho, e sabe tão bem!! Encomendem já... AQUI!

Entretanto, ando deliciosamente viciada no romance do Afonso Cruz… já vos conto mais, em breve.

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terça-feira, outubro 28

Para Cima e Não Para Norte...

E pop… já está cá fora um novo livro da Patrícia Portela! Não sei se algum de vocês viu a trilogia Flatland, a versão dramatúrgica inspirada em Edwin Abbott Abbott, que era um misto teatro/ instalação/happening tecnológico característico do trabalho da Patrícia nos últimos anos. Agora saiu a versão em livro! Weeeeeeeee! Eu gosto muito do trabalho dela, como já tenho tido aqui ocasião de dizer, não conseguir ir hoje ao lançamento buscar o meu livro autografado, mas vou já tratar da encomenda, depois logo trato do autógrafo. Façam o mesmo, AQUI!

E como aperitivo… aqui fica a apresentação…



"Para Cima e Não Para Norte baseia-se na história verídica de um Homem Plano e do seu percurso pessoal para se tridimensionar. O Homem Plano é uma espécie de super-herói, que se descobre com apenas duas dimensões e se desafia a conquistar uma terceira, passando por várias noções de perspectiva "

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terça-feira, janeiro 13

De volta ao “Para cima e não para norte”

“(…) Estavas tão preocupado em reportar notícias de ti próprio, tão ocupado a fazeres de ti próprio, que começaste a precisar de um olhar em todo o lado.
Já não podias viver sem ser visto. (…)”

Nunca pensei levar tanto tempo a ler este livro, como levei. Fanzíssima da Patrícia Portela, sempre achei que uma hora depois de me ter chegado à mão já o tinha terminado. Isso não aconteceu e encravei ali em muitos momentos. Talvez por já acompanhar o projecto desde a primeira apresentação dramatúrgica e achar que ao vivo funcionou muito melhor. Mas é verdade que continuo a recomendar que o comprem. Não só pela ideia da história, como pelo objecto livro, que é absolutamente original e comunicativo de formas que os livros planos (para adultos), normalmente não são. Adorei as vozes que se ouviam, as correntes de ar ao virar da página, a dobra falsa da página que fazia parte da história, as barrinhas da prisão (um dos momentos onde encravei mais) o teletexto do noticiário (definitivamente o momento que demorei mais a ler até ao fim), toda a organização gráfica em geral. É um livro de uma criadora original, que arrisca e que espero que continue a arriscar. Eu vou estar lá para ver, comprar e ler.


E no fundo, tenho pena de não ter sido raptada pelo homem plano…

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sábado, maio 31

Noite T, parte 1 e a teoria das camadas...

Os dois espectáculos a que assisti ontem não têm só em comum o nome Tiago dos protagonistas, como também a sobreposição de camadas de histórias do passado e do presente. No Yesterday’s man do Tiago Rodrigues e Rabih Mroué, o Tiago começa por sobrepor um mapa antigo de Beirut a um actual para tentar descobrir o destino que procura. À medida que vamos entrando na história vamos percebendo que essa é a lógica da peça onde a mesma personagem se encontra num cruzamento de espaços temporais e num espaço sempre em mudança. Cada personagem está no seu tempo e ao mesmo tempo, naquele cruzamento de tempos. A personagem é sempre a mesma, pouco muda, só o espaço é que parece sofrer a mudança do tempo. E a personagem está sempre à procura (ou à espera) daquele destino que nunca chega a encontrar.
Influenciada por muita música que tenho ouvido, fico com a sensação que a peça é como uma sobreposição de loops. E é interessante pensar como as diferentes áreas artísticas se acabam por influenciar umas às outras, ou a nossa apreciação delas. :)

E claro, o que é para mim é sempre o melhor, foi o estímulo que este Yesterday’s man conseguiu deixar no meu cérebro que passou a noite a vaguear em reflexões diversas, desde o que é que procuramos da vida? Será que nunca chegamos mesmo a encontrar? Que mais vale ficar parado à espera e não procurar? Era essa a moral da história? Se era, não consigo aceitá-la. Prefiro pensar que muitas vezes, principalmente quando não desistimos, conseguimos chegar à rua que procurávamos. O que pode acontecer é que, pelo caminho mudamos tanto que quando lá chegamos percebemos que essa já não é a rua que queríamos. E nossa procura começa noutra direcção. Não me quero encontrar um dia de costas, simplesmente parada à espera de qualquer coisa que nunca vai chegar...

Acima de tudo, foi uma hora muito bem passada, o Tiago Rodrigues, mais que um actor, é um excelente comunicador e eu ficava já ali, a noite inteira a ouvi-lo em loop ;)

Este espectáculo já não vão poder ir ver, pelo menos no Alkantara, mas o festival continua e com excelente programação e apesar da dificuldade que tive em conseguir bilhete para o Banquete da Patrícia Portela que já está esgotado praticamente desde o primeiro dia em que foram postos os bilhetes à venda, é bom ver estas coisas todas a esgotar. :D

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domingo, fevereiro 18

Há uma coisa no teatro..

.. que me irrita profundamente!
A gente vai ver aquelas peças canastronas, com aqueles actores com A grande, nos teatros, uns mais canastrões que outros (ainda me torturo ao lembrar-me da última peça que fui ver) e toooodo o público aplaude de pé, mesmo com o ar mais enjoado do mundo, os Actores e as Actrizes... Bis! Bis! (medo! medo!)

.... a gente vai ver uma peça maravilhosa, com textos maravilhosos, interpretada maravilhosamente bem, com actores menos conhecidos da sociedade em geral..(mas que já vão ficando bem reconhecidos por quem gosta de teatro) e ninguém levanta o cu da cadeira! Enfim, são públicos diferentes, e o público que realmente vai ao teatro para ir ver teatro não liga muito a isso....

Se há alguma coisa a dizer depois de se ver as Duas Metades é, QUERO MAIS!!!!!

Eu já aqui tinha falado nestes textos na altura das urgências, agora, resta-me corrigir-me quando disse que os textos da Patrícia Portela só funcionavam em espaços alternativos.. porque o que lhe faltava era espaço para respirar. Aqui teve-o e foi, mais uma vez, extraordinariamente bem interpretado pelo Tiago Rodrigues (também já aqui tenho escrito sobre ele) e o texto do Tiago... se já era bom... ficou muito, muito bom! E também, extraordinariamente bem interpretado pela Cláudia Gaiolas e pelo Tónan Quito. Merecem todos um grande e longo aplauso.. de pé!!!! Mais!! Mais!!!

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quinta-feira, maio 22

Siga para o Alkantara!

Depois do Indie, da Monstra e do Fimfa é a vez do Alkantara Festival. Já estive a espreitar por alto a programação e, do que conheço, há dois espectáculos que não quero perder. O do Tiago Rodrigues e o da Patrícia Portela, por já ser fã incondicional dos dois. Depois há o Tiago Guedes, que conheci muito no iníciozinho e já há algum tempo que estou curiosa para voltar a ver, talvez seja desta. E depois, há tanta coisa que não conheço... é verdade que hoje em dia não podemos mesmo queixar-nos de falta de oferta de coisas boas para fazermos nos nossos tempos livres... agora já só podemos mesmo é queixar-nos da falta de tempo e dinheiro para conseguirmos ver tudo o que anda por aí ;P
A espreitar aqui a programação completa.

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sexta-feira, dezembro 12

E muito a propósito…

Porque já é o livro que me anda a fazer companhia à noite… Hoje acordei com o JP Simões a ler um excerto do último livro da Patrícia Portela, Para Cima e Não para Norte.
Não me lembro como é que se chama esta nova rubrica da RADAR, mas é muito bem vinda e a escolha do JP uma bela escolha. Ainda estou muito no princípio, depois falarei melhor, mas até aqui já está a ser uma bela experiência… e é aí que a Patrícia é genial. O livro não é um simples livro de leitura, é uma verdadeira experiência interactiva!! Mas lá voltarei quando acabar de o ler ;)

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